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segunda-feira, março 29, 2004
fsp 29mar04
O governo, a soja e o trovão
JORGE BORNHAUSEN
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O prejuízo já está sacramentado e inscrito na conta negativa do ano 2004 do "desgoverno Lula"
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O grande azar do "desgoverno Lula" é que as fábulas estão sendo reescritas e o castigo já não anda a cavalo, antecipa-se como o raio, que já caiu quando se vê o relâmpago e ouve-se o trovão.
Por isso, nesses dias, enquanto a TV mostrava a fila de caminhões de soja alcançando 80 km, cobrindo toda a extensão da rodovia que vai de Paranaguá à região metropolitana de Curitiba, e os repórteres anunciavam que havia navios esperando mais de 30 dias ao largo, os jornais circulavam com a revelação de que os produtores brasileiros estão perdendo US$ 1,2 bilhão na atual safra com o deságio, espécie de castigo pela demora e dificuldades de o produto chegar aos portos importadores.
Trata-se de uma espécie de taxa que o mercado internacional aplica a determinados produtos, conforme as dificuldades e o tempo exigido até que os compradores os tenham em seus armazéns. São dólares que deveriam engordar as receitas brasileiras de comércio exterior e que são perdidos como punição às más condições de infra-estrutura e entraves burocráticos do nosso país. Ou seja, é dinheiro que o agricultor brasileiro deveria receber pela soja que produziu e perde pela incapacidade do governo de cumprir sua parte no processo de exportação.
Antigamente, no tempo em que o castigo andava a cavalo, esse prejuízo só apareceria no final, quando se fechasse a contabilidade. Agora, em tempos de internet, é apurado on-line. O raio já caiu, isto é, o tal ágio já está sendo cobrado, e não se espera o fim da safra para fazer a conta. O relâmpago e o trovão servirão apenas, como se verá nos próximos meses, quando se registrarem os justos protestos e indignação dos agricultores. O prejuízo já está sacramentado e inscrito na conta negativa do ano 2004 do "desgoverno Lula" e seus petistas despreparados, concorrentes sérios ao título de pior equipe de administradores já reunida neste país.
Mas o que se pode esperar de um governo que perde tempo -já estamos avançados no segundo mês desde que a denúncia do caso Waldomiro apareceu- tentando abafar um reles caso de corrupção, mobilizando para isso todo o seu sistema de apoio parlamentar, só para impedir uma CPI requerida legalmente?
Esse tempo perdido do governo Lula e seus principais colaboradores no inútil pega-esconde para sepultar um caso de corrupção faz falta à ação administrativa concreta de emergência na área dos transportes, que, além da sobrecarga com o aumento das safras, sofreu os efeitos das chuvas do último inverno.
Na verdade, não houve planejamento estratégico e o pais está colhendo 52 milhões de toneladas de soja com uma logística de armazenamento e transportes estabelecida quando colhia apenas 28 milhões de toneladas. Mais ou menos, como ouvi de um produtor do Mato Grosso do Sul, "o mesmo que usar um motor de Ferrari numa velha carcaça de um fusquinha". O prejuízo seria muito maior se não tivesse ocorrido uma quebra de safra de 8 milhões de toneladas, por adversidades climáticas nos principais Estados produtores.
Se o país tivesse um governo atento à nossa realidade, estaríamos todos mobilizados para vencer a grande batalha de escoamento dessa impressionante safra de grãos e a redução do absurdo deságio de US$ 1,2 bilhão, que certamente cobriria, com vantagem, só com os impostos que geraria, um verdadeiro plano nacional de combate à pobreza, que mudaria a situação de indigência de setores rurais e urbanos. Evidentemente um verdadeiro projeto social, menos propaganda e mais socorro à população necessitada.
Que brasileiro, alertado pela reportagem de Mauro Zafalon, no Agrogolha de 23/3, de que a soja brasileira estava sendo negociada na Bolsa de Chicago por apenas US$ 9,3575 por bushel, enquanto a soja americana obtinha US$ 1.056,10, não sentiu indignação com o fato de esse deságio humilhante derivar única e exclusivamente da nossa desorganização operacional? Principalmente porque esse deságio não foi imposto por nenhum imperialismo, mas foi conseqüência do fato elementar de os navios do importador levarem no máximo quatro dias para encostar e carregar sua carga de soja americana no golfo do México, enquanto estão levando 35 dias para realizar a mesma operação em Paranaguá.
E quem paga o pato? O produtor, que é quem tem sua soja desvalorizada.
Já que é incapaz de perceber as diferenças da velocidade da luz e do som e se comporta diante dos raios da economia com tanta insensibilidade, o governo poderia ao menos entender o ribombar desse trovão, expresso na espantosa cifra de US$ 1,2 bilhão perdidos pela agricultura brasileira. Prejuízo devido a um governo que perde tempo abafando CPIs, quando deveria estar preparando o país para a safra de 2005, já que a perda dos agricultores em 2004 é fato consumado.
Já que o governo vive em busca de temas para uma agenda positiva, está aí um magnífico pretexto para fazer alguma coisa. Ouvir o trovejar dessa perda de US$ 1,2 bilhão da safra de soja e fazer alguma coisa para que não se repita. Ou continuaremos a patinar no abafa-abafa do caso Waldomiro Diniz?
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Jorge Konder Bornhausen, 66, é senador pelo PFL-SC e presidente nacional do partido. Foi governador de Santa Catarina (1979-82) e ministro da Educação (governo Sarney) e da Secretaria de Governo da Presidência da República (governo Collor).
posted by A. Song.
10:41 AM
ap 29mar04
Experts Question Brazil's Infrastructure
By THE ASSOCIATED PRESS
Filed at 3:48 p.m. ET
PARANAGUA, Brazil (AP) -- As seagulls perched on idled cranes at Brazil's largest grain port, more than 50 freighters lay anchored offshore, waiting to take cargo from 6,000 big rigs stuck on a highway in a 44-mile line stretching from lush tropical peaks down to the sea.
The unprecedented five-day shutdown of the Paranagua port prevented 1.3 million metric tons of soybeans and corn from being exported on time, sent soy futures soaring amid rising worldwide demand -- and raised concerns that Brazil's shaky infrastructure could hurt its bid to become the planet's agricultural superpower.
``What a mess,'' said Steve Nicholson, a senior economist for Doane Agricultural Services in St. Louis, who closely follows the international soy market. ``This is an Achilles heel for Brazil: The poor infrastructure and their inability to deal with it.''
The port, which closed when thousands of shippers and longshoremen went on strike protesting alleged mismanagement at the government-run docks, ended on Thursday. But it will take days for full operations to resume just as Brazil enters the peak of its soybean harvest.
Though trucks and trains laden with soy are now rumbling again along the potholed streets of Paranagua toward its deep water harbor, the shutdown showed Brazil still faces huge challenges getting valuable export products abroad.
Making matters worse, the port's sudden closure -- its first ever -- happened as soy prices approached their highest level since 1988, with buyers depending on the world's second largest producer after the United States to get soybeans to market on schedule. Frantic commodities traders pushed soy prices to a 16-year high on the shutdown's fourth day.
Images of stalled trucks and a deserted port, shown worldwide, hurt Brazil's image but could benefit American farmers.
``U.S. growers and their trade associations are always harping to Asian buyers: `We are reliable, and we get it to delivered to you, on time, with no problems,''' Nicholson said.
With demand for soy skyrocketing amid huge purchases by China and increasing use of the high-protein oilseed in everything from processed food to animal feed, Brazilian farmers have ramped up production over the last decade -- taking advantage of low land and labor costs, plentiful water, a forgiving climate and advanced agricultural technology.
But while Brazilian soy production has doubled since 1997 and is expected to surpass the U.S. in a few years, investment in ports, highways and railroads hasn't kept pace. After taking office last year, President Luiz Inacio Lula da Silva froze all new road projects in favor of maintaining crumbling existing highways.
In the top soy producing state of Mato Grosso, the situation is so bad that a consortium of producers, tired of dispatching tractors to pull soybean trucks stuck in the muddy tracks that pass as roads, is financing and paving its own 49-mile link with the closest highway. A shortage of silos is so acute that small municipalities offer up their town squares as storage lots until truckers arrive.
Truckers heading to the Paranagua port in the southern state of Parana are treated to a modern four-lane highway amid a stunning backdrop of mountains dropping to the coast for the last leg of their trip. But then they face delays of up to two days unloading their rigs even when the port is operating normally.
During the strike, trucker Antonio Almeida Rodrigues seethed for nine days a dozen miles from the port as he guarded his truck loaded with 26 tons of soybeans parked on the highway's shoulder.
``This just shouldn't happen,'' said Rodrigues, 50. ``This is one of the biggest ports in Latin America, and it should be the best in the world.''
Brazilian-style bare knuckles politics also played a role in the shutdown of the port, which is run by the brother of Parana state Governor Roberto Requiao. Shippers and longshoremen say Gov. Requiao never followed through with promises to improve the port, and made loading delays worse by eliminating overtime for longshoremen.
He lashed back by accusing strike organizers of trying to privatize the port for their own benefit, and called a Parana farmers' group official a ``big rat'' after the official complained about the port's rat eradication program.
The strike started March 19 and got ugly last weekend when the offices of a Paranagua shippers association were gutted by fire. Julio Cesar Juchen, the association's executive secretary, said he ran from the office with two other workers after hearing a cacophony of car horns outside.
Cars and motorcycles blocked the road, and dozens of men he didn't recognize broke down the door with a wooden plank, setting the office on fire before getting back into their vehicles and racing away.
``We think it's coming from the other side, but we don't have proof,'' he said. Police said they have no suspects.
Strikers and Requiao reached an agreement Wednesday to reopen the port after deciding they would meet in the future to discuss the port's problems.
But the port remained mostly out of operation for another day because truckers, angry about losing loads during the shutdown, blocked the highway with their rigs and refused to unload their soybeans. That impasse was resolved after truckers accepted an offer of 23 million reals ($8 million) to be split among them for their down time.
The Paranagua shutdown helped send soybean prices for May delivery to $10.56 per bushel on Monday, the highest level for the near-contract month since June 1988.
The price dipped to $10.52 Tuesday and sank 28.5 cents per bushel to $10.23 Wednesday as relieved traders reacted to news the port would reopen.
``This just shows you have very bad management on top of bad roads and an insufficient rail system,'' said David Fleischer, a political science professor at the University of Brasilia. ``To have this happen on the eve of massive demand for exports is pretty stupid.''
posted by A. Song.
10:36 AM

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